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Eduardo Pelosi | 26.06.2008 | 22:54Logo mais, aguardem!!!
Logo mais, aguardem!!!
A partir daqui você confere posts da antiga versão do blog…
Ele andou por uma terra desabitada, sem casas, pessoas sem caráter, nem dinheiro. Tim conhecia o caminho como a palma da sua mão, sabia como poderia voltar para casa, mas a sensação da terra sob os seus pés e a visão do rio que corria ao seu lado completou sua alma de uma forma inexplicável. Aquele local o prendia de uma maneira muito boa! Trata-se de um cara que busca coisas simples, já tinha quase 30 e se preocupava com a idade, queria saber em que poderia se sustentar. Tim se sente cansado, quer descansar, a árvore caída ao lado do rio lhe faz pensar: “Será que essa árvore consegue me ver, me entender, me ouvir?”. Poderia parecer loucura, mas aquele era o lugar que Tim amava, era o local onde ele sonhou viver por toda vida e agora ele vivia ali, exatamente no lugar onde só ele conhece. No minuto seguinte, ele resolve levar sua mulher para sua nova terra, ele oferece aquele ar, aquele local que só os dois conhecem. Um lugar para passar o resto da vida.
Enquanto lê:
foto: NASA
Na infância não registrada nós experimentamos o mundo, com muitos dedos na tomada e “mãos de alicate”. Onde a nossa memória consciente não alcança estão as nossas experiências mais fortes, cada um foi moldado naqueles momentos, em sustos, descobertas, choros, gargalhadas e palmadas. Andando em um jardim ainda sem muito equilíbrio, com vontade de descobrir o que é aquela coisa engraçada de metal, que de repente espirra água para todos os lados. Era impressionante o parafuso daquela cadeira de madeira bem trabalhada, com forro de veludo, que transformava o tio num rei medieval. O garoto achava que nunca ia esquecer daquelas vezes que andava na rua com a babá, “andando” com os dedos nas paredes de onde passava, infelizmente, aquele momento foi apagado da memória. Anos que levavam uma eternidade para passar e que passavam como relâmpagos. Ele corre atrás da bola em busca daquelas faixas coloridas que mudam de lugar, quando a bola para perde a graça, porque as faixas não se mexem. O garoto logo ganha uma mordida no dedo e corre chorando para a mãe curar, dê-lhe cinco minutos de choro para as gargalhadas. O jardim, os quadrados vazados de cimento preto, os quadrados rosas encaixados no chão, o palito de picolé, a árvore serrada, os tijolinhos enfileirados, os aviões de plastimodelismo do pai e as conversas atrás da cabeceira foram totalmente esquecidas quando o garoto ganhou consciência.
…Após sofrer escondida alguns meses, sem saber como conversar com sua mãe, Estela se sentia atormentada por pesadelos diários, que só pararam quando sua mãe sentou-se do seu lado, em plena madrugada, para acalmá-la. Parecia que sua mãe já sabia o que estava acontecendo: “Está tudo bem filha, nada vai acontecer. Fique tranquila, estou aqui!”. Aquelas palavras lhe acomodaram sem que fosse preciso perguntar nada, o pesadelo tinha acabado de maneira rápida, felizmente, o pesadelo não acabou com sua mãe no caixão. “Em dias de chuva, não adianta evitar que as gotas caiam em você”, era o que pensava Estela, com 14 anos. Não gostava de se sentir triste, por isso sempre que perguntavam como estava dizia estar ótima. Sempre que não era verdade, pensava nisso imediatamente, mas preferia assim, deste modo atraia energias positivas.
Uma vez, Estela foi pega de surpresa pelo destino. David, o garoto com quem sempre quis namorar, a chamou para sair. Ele era um rapaz bonito, sempre parecia estar seguro do que fazia e todos achavam a sua companhia agradável. A festa que foram estava agitada, muita música e pessoas dançando, o que Estela nem percebeu, pois ficava hipnotizada ao lado daquele menino. Em pouco tempo estavam namorando, descobrindo juntos cada coisa que a vida os reservava. O casal era visto com graça, todos achavam que eles combinavam e alguns amigos, inclusive, diziam que queriam ter um par assim. Com o passar do tempo, Estela conhecia cada vez mais David, sabia que a segurança que ele passava era uma maneira de se defender. Ele havia passado a fazer parte da sua história, ela já era parte da vida dele, tudo o que David fazia era pra tentar causar a Estela a mesma felicidade que sentia ao seu lado. Brigavam algumas vezes, porém, logo se entendiam, Estela não gostava de se sentir triste e logo fazia de tudo para resolver qualquer entrave. Mesmo quando se decepcionava com David, tentava resolver e dava o braço à torcer, se fosse preciso, para que eles pudessem se entender. Não se interessava por ofensas e caras feias, sabia que da maneira como agia fortalecia o amor dos dois. No primeiro aniversário do namoro, ofendeu David com a maneira ríspida, que as vezes ficava. Ele aprendeu com Estela a driblar desavenças, logo se entenderam novamente. David costumava dizer que todos os problemas só faziam o amor aumentar e ficar mais forte. Parecia clichê, mas uma vez David escreveu o seu nome e o de Estela numa árvore próximo a casa de um amigo seu. Acreditava que aquilo imortalizava o sentimento, curiosamente aquela árvore não apagava nem um centímetro do que ele havia escrito. Bastava olhar para aquele casal e você sabia que nenhuma tempestade iria fazê-los desistir, um casal que iria envelhecer junto. Mas isso é outra parte da história…
Um tempo que não posto aqui… Deixei 2006 passar, este ano vai ser bem diferente, muita coisa deve acontecer e tudo vai dar certo! Por enquanto, o início de uma viagem…
“Em dias de chuva, não adianta evitar que as gotas caiam em você”, era o que pensava Estela, desde os 10 anos de idade. Ela se sentia rejeitada pela família, mas no fundo sabia que eles a amavam. Ainda quando criança, roubou uma pequena boneca em uma loja, acabou sendo flagrada por um segurança, que tirou a boneca do bolso da sua calça e colocou em sua mão, dizendo que ela podia ficar com o brinquedo. Pela primeira vez ela teve vergonha de algo que fez, chorou durante dias, escondida enquanto tomava banho, ninguém havia aplicado nenhuma punição, mas ela se punia severamente. Não tinha vontade de roubar aquela bonequinha, pegou em um misto de inocência e ingenuidade, queria mostrar para as amigas, brincar e só. Depois disso ela resolveu fugir de corrupções, nunca mais inventou histórias e aventuras sobre si mesma para as amigas e para os pais, ficou mais séria do que deveria ser com a idade que tinha, mas não deixou de ser criança, conservou o espírito infantil. Agir assim, fazia com que ela conseguisse se perdoar e tentar fazer as coisas da maneira que o seu coração queria, ela nunca ligou para brigas com amigas, nunca ligou para brigas com seu irmão mais novo e também para as broncas que levava em casa. Estela fazia diferente, sempre rezava quando coisas boas aconteciam, agradecia e fazia questão de acreditar que, desta forma, Deus lhe atenderia quando realmente precisasse, funcionava. Ao andar de bicicleta, prestava atenção no jardim ao lado da sua casa, prestava atenção em tudo que era verde e se deliciava com o ar puro. Ela cresceu naquela rua, conhecia cada centímetro daquele lugar, não imaginava sua vida sem aquelas pedras, aquelas plantas e aquelas pessoas. Pouco depois de fazer 11 anos, Estela se perguntava o que era o Golfo Pérsico e por que os americanos estavam lá, questões que duravam 10 segundos em sua mente, ela se preocupava mesmo era com sua mãe. Fazia alguns meses que Estela tinha achado uma carta da mãe, dizendo o que deveria ser feito caso ela morresse, aquilo fazia com que ela ficasse apavorada, não tinha como qualquer coisa no mundo funcionar sem sua mãe. Não tinha certeza se a mãe estava doente, mas não cansava de pensar que nunca tinha dito que a amava, precisava fazer a mãe entender aquilo e o medo de não conseguir explicar lhe apavorava mais ainda, passava mais de uma hora no chuveiro, chorando encostada num canto, tentando entender por que sua mãe precisava explicar o que devia acontecer caso morresse, questão que durou meses em sua mente… [continua]

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